sábado, 30 de agosto de 2008

Mudanças no Mercado de Trabalho Brasileiro

Merge. Acquisition. Joint Venture. Due Diligence. Globalization. Change Management. Benchmarking. Lean Manufacturing. Downsizing. Outplacement…

Estas palavras estão cada vez mais presentes no seu dia-a-dia. Não se preocupe se você ainda não ouviu algumas delas – lamentavelmente você ainda irá ouvir, e seus tímpanos irão doer.

As empresas hoje passam por processos competitivos cada vez mais agressivos, Resultado é a palavra-chave das Organizações, e como é o elemento humano quem gera resultados, esta máquina imperfeita (graças a Deus) vem sendo exigida em seu limite máximo.

Nos processos de Recrutamento e Seleção, as empresas vêm exigindo cada vez mais dos profissionais. Cursos, especializações, habilitações específicas, multifuncionalidade. Com isso, o mercado responde com a criação de novos estabelecimentos de ensino, centros de treinamento e de formação profissional.

Com essa competitividade acirrada, o Mercado de Trabalho no Brasil vem sofrendo toda sorte de mudanças. Com isso:
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Empresas vêm adquirindo outras (aquisition), estabelecendo parcerias (joint venture) e se fundindo (merge), gerando um clima de insegurança, pois o mais certo é de que cortes irão ocorrer. Com isso, alguns funcionários, por iniciativa própria, têm deixado suas empresas antes que a demissão os alcance (geralmente os melhores) enquanto outros são demitidos.


# Normalmente nestes processos uma espécie de “grande auditoria” é realizada nas empresas que estão sendo adquiridas (due diligence). Nestas auditorias, o nível de stress chega às alturas, e aí, mais funcionários são levados a pedirem demissão.

# A globalização facilita e estimula o benchmarking (onde uma empresa adota as “boas práticas” de uma concorrente), que invariavelmente leva a novos processos de mudança e adaptação – aumentando o nível de stress e insegurança.


# Novos modelos de gestão são adotados (change management), estruturas de produção cada vez mais enxutas são estabelecidas (lean manufacturing), gerando sobrecarga de trabalho aos que ficam. Neste desenho os executivos têm cada vez mais apresentado problemas de saúde ocasionados pelo stress.

# Por fim, e como conseqüência de todos os processos de aquisição, parceria de negócios ou fusão, tem lugar os processos de redução de quadros (downsizing), onde apenas pouquíssimas empresas buscam atenuar os danos causados aos seus funcionários e executivos fornecendo aos mesmos um processo de recolocação profissional (outplacement).

Qual resultado disso tudo?

# O tempo médio de permanência dos profissionais nas empresas está diminuindo. Hoje um selecionador já não pode mais discriminar um profissional (sobretudo em funções gerenciais e executivas) por terem pouca fixação às empresas. Na verdade o movimento é mútuo – as empresas cada vez menos conseguem reter seus profissionais, enquanto estes se vêem seduzidos por novas oportunidades dos mercados em expansão - como é o caso do Óleo e Gás.

# Nossos profissionais estão ficando doentes. Insegurança, busca constante por novos desafios e insatisfação têm sido cada vez mais o discurso de nossos profissionais nos processos seletivos. Isso tem levado estes profissionais a elevados níveis de stress, o que é facilmente constatado pelo aumento da sinistralidade nos Planos de Saúde corporativos.

# Os grandes executivos buscam abrir seus próprios negócios na época mais fértil de suas carreiras. Função da insegurança que o Mercado de Trabalho em geral tem imprimido a estes profissionais é visível o número de micro e pequenas empresas que surgem capitaneadas por estes executivos - na maioria das vezes, na melhor fase de sua carreira.

# As empresas não param de recrutar e selecionar. Algumas empresas possuem um verdadeiro exército de recrutadores e selecionadores, com complexas estruturas de captação de Currículos e Programas de Relacionamento e convênios com Universidades e Órgãos de Formação e Capacitação Profissional. Alguns profissionais de Recrutamento e Seleção com quem mantenho relacionamento, em várias empresas, afirmam: “É como enxugar gelo. A empresa mal contrata e já aparece um novo pedido de demissão. Uma semana depois, outro funcionário é desligado por iniciativa da empresa.”.

# Os salários praticados no mercado estão em franco processo de desestabilização. Alguns executivos ao perderem suas colocações aceitam ganhar menos para desempenhar as mesmas atividades das quais eram responsáveis no emprego anterior. Com isso ficam insatisfeitos e buscam novas oportunidades. O comprometimento cai. Em contrapartida, alguns profissionais mais cobiçados por suas qualificações passam a exigir salários cada vez maiores em cada empresa por onde passam. Já há histórico de empresas onde alguns funcionários possuem salários bem superiores aos de seus presidentes...

# Alguns projetos nas Organizações sofrem solução de continuidade. Em face do crescente turnover nas empresas, alguns de seus projetos simplesmente não andam e são condenados antes mesmo de terem nascido.

# Aumento drástico no número de de novas ações trabalhistas. Há alguns poucos anos era raríssimo vermos ações trabalhistas movidas por executivos e gerentes. Hoje este número já é assustador. Ex-presidentes, altos executivos e gerentes estão processando suas antigas corporações, causando prejuízos milionários às mesmas – e isso ocorre em face de práticas inadvertidas de desligamentos por conta de processos de redução de quadros e de avaliação de desempenho agressivas.

Com isso, caro leitor, quem perde é o próprio Mercado de Trabalho (empresas e seus funcionários). Perde o sistema trabalhista brasileiro e o país. Só no ano de 2006 foram gastos cerca de R$ 8,2 Bilhões em indenizações trabalhistas. Muitos de nossos maiores talentos já estão preferindo trabalhar no exterior.